Olha, eu já vi muito campeão da NBA se achar o dono da quadra no ano seguinte e acabar levando um banho de realidade logo na primeira rodada dos playoffs. Por isso que tô impressionado com a postura do Oklahoma City Thunder nesta temporada.
O Thunder é o atual campeão da NBA. Tem também o quinto elenco mais jovem da liga. Essa combinação? Normalmente é receita pra desastre total.
A maldição do “eu primeiro”
Pat Riley chamava isso de “a doença do eu” — quando os jogadores começam a pensar mais nos próprios números, nos próprios toques na bola, no próprio salário. Acontece até com veteranos experientes. O basquete coletivo que ganhou o anel vai pro espaço, e junto com ele a chance de repetir.
Mas sinceramente? OKC não tá dando essa vibe nem um pouco.
“Acho que é isso que nos torna tão bons, o fato de termos tantos caras que jogam pelo coletivo”, falou Jaylin Williams. “Ninguém entra pensando ‘vou chutar 25 vezes hoje porque fulano tá machucado’. Todo mundo pensa em fazer o que o time precisa pra ganhar.”
Proibido falar em bicampeonato
O técnico Mark Daigneault instalou uma filosofia meio chata mas eficiente: foco nas coisas pequenas que as grandes vão acontecer. Todo treinador fala isso, né? A diferença é que do Shai Gilgeous-Alexander pra baixo, TODO MUNDO comprou a ideia.
E sabe o que mais me impressiona? Eles literalmente NÃO falam sobre repetir o título no vestiário. É assunto proibido.
“A gente tenta não pensar assim”, disse Lu Dort. “Óbvio que somos os atuais campeões, mas tentamos nem pensar nisso. Ainda temos que bater cada time quatro vezes pra avançar.”
Pode soar chatão esse papo de “processo” e “bons hábitos”, mas tá funcionando. Esses caras lembram muito o San Antonio dos tempos do Tim Duncan — sem drama, sem ego, só trabalhando duro nos detalhes. Duncan tem cinco anéis pra provar que funciona.
Continuidade é tudo
Uma coisa que OKC tem e a maioria dos times não consegue mais na era do salary cap: continuidade no elenco. O núcleo que vai tentar o bi já ganhou junto. Até jogadores como Ajay Mitchell, que agora tem papel maior, já conhecem o sistema por dentro.
“Definitivamente ajuda”, confirmou Dort. “Ter praticamente os mesmos caras da temporada passada… nossa química só melhora.”
Até as lesões que pegaram o time — Jaylin Williams, Alex Caruso, Isaiah Hartenstein — viraram oportunidade pro Daigneault testar combinações diferentes.
Vocês acham que essa postura mental vai segurar a pressão dos playoffs? Porque uma coisa eu sei: ficar falando em repetir título antes da hora é a maneira mais rápida de não repetir título nenhum.
