Meu coração tá despedaçado. Oscar Schmidt, o cara que me fez amar basquete ainda criança, morreu aos 68 anos. Quinze anos lutando contra um tumor no cérebro — quinze anos, cara — e mesmo assim manteve aquela força que a gente conhecia dele.
Pra quem não viveu aquela época, Oscar não era só um jogador. Era O jogador brasileiro. O cara que fazia a gente acordar de madrugada pra assistir as Olimpíadas e acreditar que dava pra ganhar dos americanos. E olha que conseguiu mesmo, né?
O Mão Santa que nunca jogou na NBA
Oscar foi provavelmente o melhor jogador de basquete que nunca pisou numa quadra da NBA. Imagina isso — Larry Bird falando que queria ter jogado contra ele. Larry Bird! O cara foi draftado pelo Nets em 84, participou do training camp, mas escolheu continuar na Itália.
Hoje eu entendo a decisão dele. Na época, não tinha garantia nenhuma de espaço na liga, e lá ele já era tratado como rei. Kobe chegou a falar que Oscar era “seu cara”, que ele era “Bird antes de eu ter chance de ver o que Bird era”. Isso porque Kobe cresceu vendo Oscar jogar contra o pai dele na Itália.
O mais absurdo? Ele começou a carreira profissional aos 16 e só parou aos 45. Quase 30 anos de carreira. Monstro.
Os recordes que ninguém quebra
Olha só esses números: 1.093 pontos em Olimpíadas (recorde absoluto), 906 pontos em Mundiais (também recorde). Oficiosamente, é o segundo maior pontuador da história do basquete profissional, atrás só do LeBron.
Mas pra mim, o jogo mais icônico foi aquele Pan de 87, em Indianápolis. Brasil perdendo por 20 pontos pros americanos cheios de futuros astros da NBA — David Robinson, Danny Manning… Aí o Oscar simplesmente meteu 46 pontos, sendo 35 só no segundo tempo, e a gente virou o jogo. Virou! Contra os Estados Unidos!
Eu lembro do meu pai gritando na sala assistindo aquilo. Foi o dia que aprendi que brasileiro pode sim jogar basquete no mais alto nível.
Legado eterno
Hall da Fama da NBA em 2013, apresentado pelo próprio Larry Bird. Hall da Fama da FIBA em 2010. Cinco Olimpíadas, quatro Mundiais. No Rio 2016, foi um dos porta-bandeiras na cerimônia de abertura — merecidíssimo.
Vocês acham que algum dia vamos ter outro jogador brasileiro com esse impacto mundial? Sinceramente, acho difícil. Oscar era de uma geração diferente, quando um cara podia ficar 15 anos arrebentando na Europa e ser respeitado mundialmente por isso.
O “Mão Santa” se foi, mas deixou uma coisa que ninguém tira da gente: a certeza de que brasileiro pode jogar basquete de igual pra igual com qualquer um no mundo. Obrigado por tudo, Oscar. Você sempre será nosso eterno camisa 14.

