Vou ser sincero com vocês: no momento que o Atlanta Hawks do Jonathan Kuminga enfrentou o New York Knicks nos playoffs, todo mundo da Dub Nation pegou a pipoca e ficou colado na TV. E olha, foi exatamente o que a gente esperava — para o bem e para o mal.
Os Hawks caíram ontem à noite num 140-89 que foi menos jogo de basquete e mais uma aula de como NÃO jogar playoffs. Atlanta acertou míseros 37,8% dos arremessos, perdeu 19 bolas e tomou 35 pontos em contra-ataque. Estavam perdendo de 47 no intervalo — o maior déficit do primeiro tempo na história dos playoffs da NBA.
O Kuminga? 11 pontos em 3/7 nos arremessos, 23 minutos. Foi basicamente um “estive aqui mas não consegui fazer nada”.
A montanha-russa que já conhecíamos
Mas vamos olhar a série toda, porque aí sim a história fica interessante. Jogo 1: 8 pontos, 3/7. Jogo 2 no Madison Square Garden: 19 pontos, 7/12, dois roubos de bola, um toco. O tipo de performance que fez Atlanta pensar “nossa, pegamos um monstro na trade deadline”.
No Jogo 3 veio o melhor Kuminga: 21 pontos acertando 9 de 14 arremessos. 64,3% de aproveitamento. Os Hawks ganharam de novo e todo mundo no Twitter postando “era só o Kerr que não deixava o moleque jogar 😭”.
Aí chegaram os Jogos 4, 5 e 6. Realidade bateu na porta.
Jogo 4: 3/10 nos arremessos, 0/6 de três, apenas 10 pontos. Jogo 5: 17 minutos, 13 pontos, mais uma surra. E fechou com esse 11 pontos do último jogo.
Os números contam a história que já sabíamos
As médias da série até parecem OK no papel: 13,7 pontos por jogo, 49,1% de aproveitamento, 3,3 rebotes em 25,8 minutos. Números decentes para um sexto homem de um time que chegou como sexta colocada nos playoffs.
Mas tem um detalhe que mata: 19% nas bolas de três. Quatro em 21 tentativas. E é exatamente isso que impedia as defesas de respeitarem ele totalmente. Toda vez que Atlanta precisava que ele resolvesse um jogo apertado, a inconsistência aparecia — do mesmo jeito que aparecia em Golden State.
Nós da Dub Nation já conhecemos esse filme de cor. A experiência Kuminga sempre foi essa: dois ou três jogos onde você vê o teto e já começa a calcular quanto custaria uma extensão máxima, seguidos de dois ou três jogos onde o piso te lembra por que os Warriors tinham dúvidas.
O talento não está em questão. O moleque é atlético pra caramba, machuca na transição e deu muito trabalho pros Knicks no garrafão nas vitórias. Mas essa série confirmou que o debate que tivemos por dois anos em Golden State não foi resolvido em seis jogos de playoff.
Todo mundo saiu com suas convicções confirmadas. Quem achava que ele era mal aproveitado pegou os Jogos 2 e 3 como prova. Quem achava que a inconsistência era o problema real ficou com os Jogos 4, 5 e 6.
E aí, vocês acham que o Kuminga vai conseguir encontrar essa consistência que falta? Ou é isso mesmo que ele é — um jogador de altos e baixos que vai deixar qualquer torcida louca?

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